Minha História com a Esclerose Múltipla

Volto do almoço de Natal (25/12/2007) e, depois de um cochilo, acordo vendo 2 filhos!
- Pai! Venha aqui!
Que legal! 2 maridos!
- Leve a mãe pro hospital agora!
Mas é feriado... Não tem ninguém que a gente conheça na cidade...
- Deve ter algum lugar de plantão... Achei!
Vamos lá então.
Era um dia em que a cidade deveria estar vazia, mas estava tudo duplicado!
Fui atendida por oftalmologistas que, após vários exames, não conseguiram entender o que se passava comigo.
Diagnóstico: STRESS vá pra casa e se não melhorar volte amanhã.
Na volta pra casa, a incerteza: o que está acontecendo comigo?
No dia seguinte, ainda vendo duplo, voltamos lá.
Novos plantonistas, ainda sem entender, pedem uma tomografia.
Vou a um Pronto Atendimento e, feita a tomografia, um neurologista a analisa e conclui que está tudo bem...
Já estamos no 3º dia quando consigo falar com meu tio, meu oftalmologista desde pequena, que estava em viagem de férias e ele me indica um colega que estava na cidade.
Ao conversar com ele e descrever meus sintomas, ele me diz pra ir ao Instituto de Neurologia de Curitiba.
Chegando ao INC a neurologista me examina e percebe algo diferente no fundo dos olhos.
Pede uma Ressonância Magnética que é feita lá mesmo.
Ao chegar o resultado, sou diagnosticada...
- Você tem Esclerose Múltipla. Vamos começar o tratamento agora.
Esclerose Múltipla? O que é isso? Que tratamento?
Uma explicação rápida e sou colocada em um leito pra receber a primeira das três aplicações da Pulsoterapia.
Pulsoterapia? Três vezes?
Durante os próximos dois dias volto ao INC para receber via endovenosa um medicamento diluído em soro que vai entrando lentamente, durante 3 horas, para impedir que meu Sistema Imunológico continue atacando meu organismo.
Isso mesmo! A Esclerose Múltipla é uma doença autoimune, ou seja, o Sistema Imunológico tem o que chamam de “surto” e ele resolve que algo no corpo é um inimigo e ataca esse “suposto inimigo”. Afinal esse é o seu objetivo de existir, nos salvar dos inimigos...
Nesses dias em que estou em tratamento o pânico se instalou na família:
- Ela vai morrer?
- Ela vai ficar cega?
- Ela vai ficar inválida?
Dr. Google entrou em ação e ele é o pior lugar pra buscar informações sobre qualquer doença.
Então tenho que me tratar e acalmar os que me amam e estão apavorados...
No último dia da Pulsoterapia é feita uma punção lombar para “fechar o diagnóstico”.
Não entendi muito bem: o diagnóstico já tinha sido dado e agora tem que confirmar?
Acabou o tratamento, meu Sistema Imunológico está controlado.
Os sintomas ainda existem mas...
- Devem reverter logo. Precisamos começar um tratamento intensivo. Volte depois para conversarmos.
- Como é esse tratamento?
- São injeções diárias, mas não se preocupe depois conversamos.
Não se preocupe? Injeções diárias?
E agora?
Agora, tocar a vida porque ao final desse 1º episódio já é dia 31 de dezembro.
Um novo ano começa, uma nova realidade e uma nova oportunidade, pois a vida continua, agora mais preciosa.

Silvana Calabrese do Carmo - Presidente do Instituto ProbEM